Sinal de Menos #3

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Sinal de Menos chega à edição No. 3. É gratificante para nós saber que a revista tem tido um número crescente de acessos nos últimos meses. A boa novidade é que teremos, em breve, todas as edições da revista publicadas em papel! Trata-se de um projeto em associação com a editora Deriva (www.deriva.com.br). Para nós tem sido surpreendente ver que uma reunião inicial de amigos à distância, basicamente via internet, tem podido trazer discussões que estejam interessando pessoas em todo o país e até do exterior. Esperamos poder manter esse nível, inclusive com mais contribuições externas.

Para esse número, temos uma capa feita por Felipe Drago: cremos que ela dá o tom geral desta edição, a saber, uma revisita aos fundamentos teóricos da crítica social e cultural da sociedade contemporânea, de Marx a Baudelaire, dos Comunistas de Conselhos holandeses aos desarranjos habermasianos da teoria crítica até a reprodução das relações sociais e culturais nos grandes centros.

A edição abre com a ENTREVISTA com LOÏC WACQUANT, importante sociólogo francês, professor em Berkeley e pesquisador do Centro de Sociologia Europeia de Paris e com vários livros publicados no Brasil. A entrevista gira em torno de temas fundamentais de sua pesquisa: guetos e guetização, sistema prisional, Estado penal, entre outros.

Nossa seção de ARTIGOS inicia-se com o texto de CLÁUDIO R. DUARTE, A Superação do Trabalho em Marx – Em busca do tempo não-perdido, que apresenta a passagem da “sociedade do trabalho” à “sociedade do nãotrabalho” em Marx. O ensaio mostra que, apesar de certa vacilação prometeica do crítico alemão, não se trata a rigor de hipostasiar o trabalho como “centralidade ontológica” ou “momento predominante” trans-históricos, mas sim de determiná-lo como condição “histórico-natural” que se põe plenamente na sociedade moderna e tem de ser superado na passagem da “pré-história” à “história da sociedade humana”.

De certa forma desdobrando esse tema, o segundo texto, de JOELTON NASCIMENTO, Notas sobre a filosofia do direito de Habermas, lida com alguns equívocos conceituais habermasianos a respeito da crítica da economia política de Marx. Na esteira de Moishe Postone, o autor mostra as consequências de uma leitura trans- histórica do “trabalho” e do “valor”, que, transpostos em momento “sintético” do social “em geral”, facilita as coisas para Habermas fundar seu projeto de síntese social através da “interação”, como se estivesse descobrindo a América – mas ao preço de ontologizar o trabalho moderno como mera “razão instrumental” e fundamento insuperável do “sistema”. Estratégia “a la Wittgenstein”, que joga Marx escada abaixo, após pretensamente tê-lo superado.

O terceiro ensaio, Sentimento da Revolução – Baudelaire e os abismos da miséria moderna, de RAPHAEL F. ALVARENGA, mostra como a obra do escritor francês está comprometida com o contexto (pós-)revolucionário de 1848, nascendo como um forte contraponto às misérias espirituais e materiais da vida moderna. Através de novas leituras de alguns textos de Baudelaire, busca-se expor em que sentido uma cultura crítica aumenta sua força quando nutrida pelo sentimento baudelaireano da revolução malograda, não como mera adaptação ao curso do mundo, mas antes como condição de nascimento de um desejo de ruptura.

A terceira seção da revista, tradicionalmente abre para TRADUÇÕES: dois textos inéditos de “Comunistas de Conselhos” holandeses (ANTON PANNEKOEK e CAJO BRENDEL), um deles traduzido do inglês, outro do próprio holandês – versando sobre temas clássicos para a crítica do bolchevismo. Em seguida, um texto de uma autora indiana, DEEPA KUMAR, sobre mídia, cultura e o método marxista. Por fim, um texto em prosa de CHARLES BAUDELAIRE sobre o “fim do mundo”.

A última seção, dedicada a LEITURAS E COMENTÁRIOS, contém uma resenha crítica de RODRIGO CAMPOS CASTRO (Um canibal palatável) sobre o filme nacional Estômago.

Boa leitura, e até a próxima edição, dedicada ao tema “Brasil”.

Outubro de 2009

[-] Sumário #3

Editorial

Entrevista com Loïc Wacquant
O corpo, o gueto e o Estado penal

Artigos

A superação do trabalho em Marx
Em busca do tempo não-perdido
Cláudio R. Duarte

Notas sobre a filosofia do direito de Habermas
Joelton Nascimento

Sentimento da revolução
Baudelaire e os abismos da miséria moderna
Raphael F. Alvarenga

Traduções

Vozes do subterrâneo
Os comunistas de conselho e a atualidade da crítica do bolchevismo
Prefácio do tradutor

Partido e classe trabalhadora
Anton Pannekoek

A interpretação do marxismo por Lênin
Cajo Brendel

Marxismo e comunicação social
Prefácio da tradutora

Mídia, cultura e sociedade
A relevância do método dialético de Marx
Deepa Kumar

O mundo vai acabar
Charles Baudelaire

Leituras e comentários

Um canibal palatável
Rodrigo Campos Castro

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