Sinal de Menos #7

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Após um intervalo maior do que os anteriores, eis aqui o novo número de Sinal de Menos, com capa reproduzindo obra de Ludwig Meidner. Ao que tudo indica, a revista passará a ser semestral.

Talvez a novidade desta edição seja o aparecimento de alguns temas ainda não abordados em nossas páginas. A crítica da mercadoria e do trabalho é aqui ampliada pela crítica da agricultura capitalista e da dita “ciência marxista” nos moldes do objetivismo da ciência positivista. Por outro lado, o Maio de 68 visto por um de seus principais interlocutores marxistas – Henri Lefebvre –, vem de par com a releitura crítica da obra de Herbert Marcuse, particularizada pelo foco na questão do trabalho. Eis os assuntos dos quatro primeiros artigos.

Desde a Revolução Industrial, o capitalismo aparentemente superou os temores de escassez da produção de alimentos. Os “críticos” da agricultura então quase se restringiram à temática da distribuição. Entretanto, os métodos de produção capitalista de alimentos começam a esbarrar em seus limites ecológicos e em suas contradições internas, como já em seu tempo conceituou Karl Marx. Em seu artigo “Malthus reloaded?”, Daniel Cunha mostra o conjunto de tendências que aponta para uma crise de produção de alimentos no século XXI, assim como busca indicar as potencialidades de alguns movimentos que vão em direção à reconfiguração do metabolismo social com a natureza.

O artigo de Maurílio Lima Botelho, “Dialética da natureza e objetivismo”, retoma a crítica da dialética como “visão de mundo” a-histórica. Aquilo que em Marx se tornou uma concepção histórico-materialista e crítico-negativa da sociedade da mercadoria torna-se no marxismo vulgar uma teoria reificada, que se põe como a teoria e o método abstrato das “leis objetivas” da história em geral. O autor mostra a conexão histórica desse movimento de abstração epistemológica com a industrialização retardatária na Europa, especialmente na Alemanha.

O texto de Joelton Nascimento, “Marcuse e a questão do trabalho”, retoma o percurso do filósofo alemão, da concepção ontológica do trabalho à crítica do “princípio de desempenho”, a partir de obras como Razão e Revolução, O marxismo soviético e Eros e Civilização, momentos sucessivos de uma ampliação da crítica da civilização moderna, nosentido de uma crítica integral do modo de vida regido pelo desempenho instrumental e produtivista. O texto aponta ainda quais seriam os limites e os pontos cegos dessa crítica.

O artigo de Glauber L. Xavier – “Sujeito e modernidade – a revolução urbana e o maio de 68 na França” – repassa as discussões de Henri Lefebvre a respeito do maio de 68, principalmente com base no ensaio A irrupção, publicado logo após os eventos. A luta dos estudantes não pode ser dissociada da cidade como lugar da reunião e do uso e do conceito lefebvriano de “revolução urbana”.

O segundo artigo de Íris N. do Carmo publicado na revista – “Gênero e trabalho revisitados” – revisita o conceito de “trabalho doméstico” por meio do confronto dos textos teóricos de Helena Hirata e Roswitha Scholz, promovendo o debate crítico e o esclarecimento das posições e dos conceitos produzidos pelas duas autoras.

Por fim, o ensaio de Cláudio R. Duarte – “O spleen da cidade sitiada” – é uma leitura de partes fundamentais das Fleurs du Mal de Baudelaire, as seções “Tableaux Parisiens”, “Révolte” e “La mort”, sob a luz dos massacres de 1848 e do Segundo Império de Napoleão III. Além de revelar significados alegóricos insuspeitados em poemas canônicos como “Paysage”, “Crépuscule du soir”, “Rêve parisiene “La mort des pauvres”, o interesse do texto é mostrar o movimento lógico do livro e de cada seção em particular, coisa em geral negligenciada pela crítica fragmentária de poemas isolados.

A revista conclui com a seção de “traduções”, em que aparece uma tradução de um poema cortado das edições brasileiras de Fleurs du Mal, um esboço de epílogo para a segunda edição do livro. Os versos revelam claramente, quase em ritmo de síntese da obra, o contexto francês iniludível de 1848 e do Segundo Império.

Agosto de 2011

[-] Sumário #7

Editorial

Artigos

Malthus reloaded?
A produção de alimentos na encruzilhada da história
Daniel Cunha

Dialética da natureza e objetivismo
Maurílio Lima Botelho

Marcuse e a questão do trabalho
Joelton Nascimento

Sujeito e modernidade
A revolução urbana e o maio de 68 na França
Gláuber Lopes Xavier

Gênero e trabalho revisitados
O trabalho doméstico hoje sob as lentes de Helena Hirata e Roswitha Scholz
Íris Nery do Carmo

O spleen da cidade sitiada
Esquema de “Tableaux parisiens”, “Révolte” e “La mort”
Cláudio R. Duarte

Traduções literárias

Esboço de um epílogo para a segunda edição das “Flores do Mal”
Charles Baudelaire

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1 Comentário

  1. Olá, uma sugestão que talvez venha acontribuir muito com a questão da alimentação e a falta de alimentos seria um estudo aprofundado sobre os impactos da implatação do CODEX ALIMETARIUS por ser polêmico e com questões de controle demasiado. Será que isso não também já não é uma maneira de se controlar as dosagens de remédios, enfim esse tema é polêmico. Outra questão é a produção em massa e a tendência de controle de produtos por grnades empresas. Onde ficarão as pequenas agroindústrias? A agricultura familiar produzirá e fornecerá para os grandes complexos industriais? Está aberta a questão…


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