Sinal de Menos #7

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Após um intervalo maior do que os anteriores, eis aqui o novo número de Sinal de Menos, com capa reproduzindo obra de Ludwig Meidner. Ao que tudo indica, a revista passará a ser semestral.

Talvez a novidade desta edição seja o aparecimento de alguns temas ainda não abordados em nossas páginas. A crítica da mercadoria e do trabalho é aqui ampliada pela crítica da agricultura capitalista e da dita “ciência marxista” nos moldes do objetivismo da ciência positivista. Por outro lado, o Maio de 68 visto por um de seus principais interlocutores marxistas – Henri Lefebvre –, vem de par com a releitura crítica da obra de Herbert Marcuse, particularizada pelo foco na questão do trabalho. Eis os assuntos dos quatro primeiros artigos.

Desde a Revolução Industrial, o capitalismo aparentemente superou os temores de escassez da produção de alimentos. Os “críticos” da agricultura então quase se restringiram à temática da distribuição. Entretanto, os métodos de produção capitalista de alimentos começam a esbarrar em seus limites ecológicos e em suas contradições internas, como já em seu tempo conceituou Karl Marx. Em seu artigo “Malthus reloaded?”, Daniel Cunha mostra o conjunto de tendências que aponta para uma crise de produção de alimentos no século XXI, assim como busca indicar as potencialidades de alguns movimentos que vão em direção à reconfiguração do metabolismo social com a natureza.

O artigo de Maurílio Lima Botelho, “Dialética da natureza e objetivismo”, retoma a crítica da dialética como “visão de mundo” a-histórica. Aquilo que em Marx se tornou uma concepção histórico-materialista e crítico-negativa da sociedade da mercadoria torna-se no marxismo vulgar uma teoria reificada, que se põe como a teoria e o método abstrato das “leis objetivas” da história em geral. O autor mostra a conexão histórica desse movimento de abstração epistemológica com a industrialização retardatária na Europa, especialmente na Alemanha.

O texto de Joelton Nascimento, “Marcuse e a questão do trabalho”, retoma o percurso do filósofo alemão, da concepção ontológica do trabalho à crítica do “princípio de desempenho”, a partir de obras como Razão e Revolução, O marxismo soviético e Eros e Civilização, momentos sucessivos de uma ampliação da crítica da civilização moderna, nosentido de uma crítica integral do modo de vida regido pelo desempenho instrumental e produtivista. O texto aponta ainda quais seriam os limites e os pontos cegos dessa crítica.

O artigo de Glauber L. Xavier – “Sujeito e modernidade – a revolução urbana e o maio de 68 na França” – repassa as discussões de Henri Lefebvre a respeito do maio de 68, principalmente com base no ensaio A irrupção, publicado logo após os eventos. A luta dos estudantes não pode ser dissociada da cidade como lugar da reunião e do uso e do conceito lefebvriano de “revolução urbana”.

O segundo artigo de Íris N. do Carmo publicado na revista – “Gênero e trabalho revisitados” – revisita o conceito de “trabalho doméstico” por meio do confronto dos textos teóricos de Helena Hirata e Roswitha Scholz, promovendo o debate crítico e o esclarecimento das posições e dos conceitos produzidos pelas duas autoras.

Por fim, o ensaio de Cláudio R. Duarte – “O spleen da cidade sitiada” – é uma leitura de partes fundamentais das Fleurs du Mal de Baudelaire, as seções “Tableaux Parisiens”, “Révolte” e “La mort”, sob a luz dos massacres de 1848 e do Segundo Império de Napoleão III. Além de revelar significados alegóricos insuspeitados em poemas canônicos como “Paysage”, “Crépuscule du soir”, “Rêve parisiene “La mort des pauvres”, o interesse do texto é mostrar o movimento lógico do livro e de cada seção em particular, coisa em geral negligenciada pela crítica fragmentária de poemas isolados.

A revista conclui com a seção de “traduções”, em que aparece uma tradução de um poema cortado das edições brasileiras de Fleurs du Mal, um esboço de epílogo para a segunda edição do livro. Os versos revelam claramente, quase em ritmo de síntese da obra, o contexto francês iniludível de 1848 e do Segundo Império.

Agosto de 2011

[-] Sumário #7

Editorial

Artigos

Malthus reloaded?
A produção de alimentos na encruzilhada da história
Daniel Cunha

Dialética da natureza e objetivismo
Maurílio Lima Botelho

Marcuse e a questão do trabalho
Joelton Nascimento

Sujeito e modernidade
A revolução urbana e o maio de 68 na França
Gláuber Lopes Xavier

Gênero e trabalho revisitados
O trabalho doméstico hoje sob as lentes de Helena Hirata e Roswitha Scholz
Íris Nery do Carmo

O spleen da cidade sitiada
Esquema de “Tableaux parisiens”, “Révolte” e “La mort”
Cláudio R. Duarte

Traduções literárias

Esboço de um epílogo para a segunda edição das “Flores do Mal”
Charles Baudelaire

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Sinal de Menos #6

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A edição No. 6 de Sinal de Menos gira em torno das seguintes questões: como a literatura tem representado a cultura dos marginalizados na sociedade moderna? Como o que está “à margem” da sociedade, incluindo aí o inconsciente de seus sujeitos, irrompe nas relações sociais?

A seção de ARTIGOS abre com um ensaio de CLÁUDIO R. DUARTE sobre O Castelo de Franz Kafka. O autor esboça as linhas fundamentais de sua construção e mostra por que este é talvez o romance mais complexo de Kafka, sintetizando momentos fundamentais de sua obra, pois além da dominação e da alienação, ele introduz de forma poderosa a irredutível não-identidade da figura de K.

A seguir, temos dois ensaios sobre o romance Berlin Alexanderplatz de Alfred Döblin. O primeiro, de RAPHAEL F. ALVARENGA, procura integrar à explicação materialista a dimensão mítico-religiosa deste que é um “romance de formação” de um marginal, inscrevendo a obra no conturbado contexto político e cultural da República de Weimar, a cujo destino está enredado o de suas personagens. O texto de GABRIELA S. BITENCOURT busca, a partir da análise de alguns elementos formais da representação do espaço urbano no livro, discutir quais os desdobramentos do uso da montagem e como, por meio dela, a configuração da “metrópole literária” afeta a forma do romance.

Em seguida, DANIEL GARROUX faz uma leitura de Voyage au bout de la nuit, de Louis-Ferdinand Céline, sob o ponto de vista da ruptura da forma realista tradicional. Ao colocar seu leitor diante de um fluxo discursivo não-linear que emana de uma consciência cindida a narrativa subverte alguns dos pressupostos de que o gênero do romance havia se servido até então. O ensaio desenha a experiência social de fundo sedimentada no romance.

No próximo artigo, CÉSAR TAKEMOTO tenta repensar a centralidade do evento da guerra de Canudos para a configuração artística de duas obras importantes da literatura brasileira do século XX: Os Sertões de Euclides da Cunha e Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa. Para tal, o autor se utiliza de uma crônica de Machado de Assis para daí avançar alguns pontos na interpretação de uma determinada constelação histórica brasileira.

Em seu artigo, HELENA WEISZ acompanha a trajetória do mais ambicioso projeto do escritor brasileiro Aníbal Machado. Um livro que começou a ser escrito ainda no primeiro Modernismo, acompanhou todos os percalços e contradições desse movimento e só foi terminado em 1964.

Fechando a “sessão brasileira”, CARLOS PIRES analisa um balanço histórico da música popular e das transformações do Brasil, desde o final da década de 1960, feito por Caetano Veloso, em 1993. Essa reconstrução da história recente do país reposiciona o tropicalismo como um evento sem certas linhas de força, que são centrais para entendê- lo. A análise busca compreender qual o sentido desses apagamentos pontuais, que aparecem quase como sintomas no discurso de Veloso.

O último ensaio, da autoria de NILS GÖRAN SKARE, pensa a cotidianidade, no sentido de Henri Lefebvre, sob o ponto de vista da teoria lacaniana do discurso, em suas modalidades fundamentais (a do mestre, a do universitário, a da histérica, a do analista e, por fim o “dialeto” do capitalista). Se o cotidiano é o lugar potencial do acontecimento, o capitalismo, segundo o autor, seria um sistema que busca administrá-lo e, no limite, evacuá-lo do cotidiano.

A seção de TRADUÇÕES LITERÁRIAS traz uma variante da abertura de O Castelo de Kafka, que lança certa luz sobre o caráter da luta de K. no romance, e um pequeno conto de ALFRED DÖBLIN (“A Bailarina e o corpo”), ambos traduzidos diretamente do alemão.

Lembramos que a revista vem aceitando contribuições. O próximo número trará uma entrevista com Robert Kurz, repensando temas de seu livro seminal, O colapso da modernização, após 20 anos de sua publicação.

DEZEMBRO de 2010

[-] Sumário #6

Editorial

Artigos

Aproximações d’O castelo de Kafka
Cláudio R. Duarte

O velho mundo precisa sucumbir
Mito e história em “Berlin Alexanderplatz”
Raphael F. Alvarenga

A fratura da forma
Constituição e implicações da representação da metrópole em “Berlin Alexanderplatz”
Gabriela Siqueira Bitencourt

Louis-Ferdinand Céline
“Voyage au bout de la nuit” e a crise do realismo
Daniel Garroux

Da centralidade de Canudos
César Takemoto

João Ternura
Um livro à revelia do próprio autor
Helena Weisz

Otimismo e sebastianismo na história recente da tropicália
Carlos Pires

O dia-a-dia colonizado
Lacan, Lefebvre e os eventuais discursos cotidianos
Nils Göran Skare

Traduções literárias

Variante da abertura de O castelo
Franz Kafka

A bailarina e o corpo
Alfred Döblin

Sinal de Menos #5

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Esta edição No. 5 de Sinal de Menos concentra-se em dois grandes temas: as questões urbanas (do movimento político brasileiro às perspectivas teóricas abertas por Constant Nieuwenhuys, por Guy Debord e os Situacionistas e por Henri Lefebvre até questões sobre o jogo e a crítica do moderno futebol-empresa) e as formas como Machado de Assis e Joseph Conrad representaram literariamente a modernização capitalista periférica em plena “era dos impérios”. A capa de Raphael F. Alvarenga teve a missão quase impossível de ilustrar estas duas linhas temáticas.

A edição começa com uma ENTREVISTA com o historiador MARCO FERNANDES, doutor em Psicologia Social pela USP e ex-militante do MTST. A conversa leva-nos por um percurso acidentado de conquistas e derrotas nos movimentos políticos brasileiros: do PT e o esvaziamento do trabalho de formação de bases à história das CEB’s e do movimento anarco- sindicalista no início do século passado.

Na seção de ARTIGOS, trazemos alguns textos sobre o projeto New Babylon, do pintor e arquiteto holandês CONSTANT NIEUWENHUYS, que pôs a sua imaginação a serviço do mundo pós-trabalho: o primeiro de GUY DEBORD (“Constant e a via do urbanismo unitário”), o segundo e o terceiro da autoria do próprio CONSTANT (“New Babylon – Um esboço para uma cultura” e “Descrição da zona amarela”, ambos, aliás, traduzidos dos originais). Segue-se uma apresentação desta problemática (“Um projeto em construção – Uma deriva pelo espaço-tempo de New Babylon”), feita por DANIEL CUNHA e RAPHAEL F. ALVARENGA.

A seguir, temos o ensaio de CLÁUDIO R. DUARTE, “Espaço social e sobrevivência do capitalismo – A teoria da reprodução social de Henri Lefebvre”, que estuda parte significativa da obra de Lefebvre, um importante interlocutor de Constant e dos Situacionistas. O texto mostra a atualidade da crítica lefebvriana da produção e reprodução do espaço social no capitalismo contemporâneo, tentando analisar o que o pensador francês denominava “contradições do espaço”.

Nos antípodas do clima geral de festa de copa do mundo, em “Futebol, capital, sadomasoquismo – O espetáculo como pseudo-jogo perverso”, CLÁUDIO R. DUARTE trata a questão da degradação do jogo em espetáculo capitalista e em uma espécie de “montagem perversa”, operante em sua racionalização, canalizando e desviando a violência social para fora do foco das relações sociais de dominação, com a constituição de um semblante de potência grupal e nacional, em que todos servem como instrumentos de gozo.

Por fim, chegamos à subseção literária. Em “Pacto com as trevas – Uma leitura materialista de Heart of Darkness”, RAPHAEL F. ALVARENGA e CLÁUDIO R. DUARTE analisam a novela de Conrad e tratam de pôr no lugar inúmeras peças de um grande quebra- cabeça materialista, que há mais de um século vem enfeitiçando a crítica. A posição correta do problema desvenda o pacto com o fetiche vivo, rastejando no coração “branco” das trevas coloniais africanas.

O último artigo, de CLÁUDIO R. DUARTE, “A loucura com método – O Delírio e o Humanitismo em Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba” faz uma leitura das duas mais célebres “philosophias” da obra machadiana, apontando em seu caráter enigmático – e só na aparência “carnavalesco” – a relação histórica com o laço social perverso e fetichista constituído na periferia do sistema, aproximando-se, nas linhas de fuga de seu movimento, com o estudo anterior sobre Conrad.

A seção de TRADUÇÕES LITERÁRIAS conta dessa vez com um pequeno texto de BERTOLT BRECHT, “O soldado de La Ciotat”, com tradução e introdução (“No tempo petrificado”) de RODRIGO CAMPOS CASTRO.

Na última seção, LEITURAS E COMENTÁRIOS, nosso resenhista quase oficial e infalível, JOELTON NASCIMENTO, escreve sobre o livro de Celso N. Kashiura Jr. (“Crítica da igualdade jurídica – Contribuição ao pensamento jurídico marxista”).

Como sempre, nossa expectativa é que estes textos alimentem novas discussões. A Revista vem aceitando contribuições. Os primeiros números estão à venda em papel (contate-nos para mais informações). Até a próxima edição!

Junho de 2010

[-] Sumário #5

Editorial

Entrevista
A crise do PT e do trabalho de base no Brasil com Marco Fernandes

Artigos

Dossiê “Constant” – Nota editorial
Raphael F. Alvarenga e Daniel Cunha

Constant e a via do urbanismo unitário
Guy Debord

New Babylon
Um esboço para uma cultura
Constant Nieuwenhuys

Descrição da Zona Amarela
Constant Nieuwenhuys

Um projeto em construção
Uma deriva pelo espaço-tempo de New Babylon
Daniel Cunha e Raphael F. Alvarenga

Espaço social e sobrevivência do capitalismo
A teoria da reprodução social de Henri Lefebvre
Cláudio R. Duarte

Futebol, capital, sadomasoquismo
O espetáculo como pseudo-jogo e montagem perversa
Cláudio R. Duarte

Pacto com as trevas
Uma leitura materialista de “Heart of Darkness”
Raphael F. Alvarenga e Cláudio R. Duarte

A loucura como método
O Delírio e o Humanitismo nas “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Quincas Borba”
Cláudio R. Duarte

Traduções literárias

No tempo petrificado
Introduzindo Brecht
Rodrigo Campos Castro

O soldado de La Ciotat
Bertolt Brecht

Leituras e comentários

A igualdade jurídica sob suspeita
Joelton Nascimento

Sinal de Menos #4

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Esta edição No. 4 de Sinal de Menos destaca o “Brasil” como tema. Ganha centralidade, assim, algo que nas outras edições tinha sido mais ou menos tangenciado ou constituído o pano de fundo das análises.

A edição abre com uma ENTREVISTA com o crítico literário e teatral JOSÉ ANTÔNIO PASTA, professor de Literatura Brasileira na USP. A conversa gira em torno de temas caros ao pensamento crítico nacional, tais como a questão da formação, o lugar de Machado de Assis na literatura brasileira e mundial, sua relação com outros importantes escritores do país, a velha questão do “dualismo estrutural”, entre outros.

Na seção de ARTIGOS, publicamos um importante ensaio traduzido de JOSÉ ANTÔNIO PASTA, Volubilidade e idéia fixa (O outro no romance brasileiro) – que apresenta, originalmente para um público estrangeiro, alguns aspectos de uma lógica de base da narrativa brasileira e machadiana em especial, a partir da combinação das noções de volubilidade e idéia fixa. Donde ainda são derivadas, pelo autor, outras figuras com alcance de decifração da literatura e da sociedade.

Em seguida, temos o ensaio de CLÁUDIO R. DUARTE, O Brasil n’ O espelho de Machado de Assis – Fisionomia da dominação social e territorial brasileira, que estuda o célebre conto de Machado de Assis, apontando, nos passos de John Gledson, a importância dos significantes históricos do texto. A partir daí e da contribuição de J. A. Pasta, pode-se reler em todo o conto a imagem evanescente e traumática de um Brasil escravista que se desintegra e só se unifica à força, por meio dos poderes imperiais.

Temperando o clima geral de festa com a escolha da “cidade maravilhosa” para sediar os J. O. de 2016, em Bem-vindos ao deserto do Rio! Observações sobre a guerra social em curso, RAPHAEL F. ALVARENGA chama atenção para a onda reacionária que tomou conta da cidade no ano que passou, com destaque para o recrudescimento da repressão policial e para as políticas de contenção social da pobreza.

O próximo artigo, de DANIEL CUNHA, Queimando o futuro?, se propõe a analisar a questão do pré-sal do ponto de vista da emancipação social, expondo o beco sem saída da dependência do petróleo e as potencialidades emancipatórias de tecnologias alternativas.

Por fim, temos outro artigo de CLÁUDIO R. DUARTE, Uma poética do desterro Drummond e a formação suspensa em Fazendeiro do Ar. Trata-se de um estudo sobre esse livro específico do poeta mineiro e que busca mostrar, a partir da análise de sua armação lógica e de seu poema de abertura, a densidade de relações históricas nele contidas, que expressam dolorosamente o caráter problemático e interrompido da formação individual e social no país.

Na última seção, LEITURAS E COMENTÁRIOS, JOELTON NASCIMENTO escreve sobre um livro recente de Alysson Mascaro, Utopia e Direito, que versa sobre as possibilidades críticas do pensamento de Ernst Bloch.

Nossa expectativa é que a leitura desses textos alimente novas discussões. Aliás, a Revista aceita contribuições para as próximas edições. Até a próxima.

Fevereiro de 2010

[-] Sumário #4

Editorial

Entrevista com José Antonio Pasta

Artigos

Volubilidade e ideia fixa
(O outro no romance brasileiro)
José Antonio Pasta

 O Brasil n’O espelho de Machado de Assis
Fisionomia da dominação social e territorial brasileira
Cláudio R. Duarte

Bem-vindos ao deserto do Rio!
Observações sobre a guerra social em curso
Raphael F. Alvarenga

Queimando o futuro?
O pré-sal como ilusão tardia e alavanca emancipatória
Daniel Cunha

Uma poética do desterro
Drummond e a formação suspensa em Fazendeiro do Ar
Cláudio R. Duarte

Leituras e comentários

A justiça que vem
Ou por que alguns princípios arquijurídicos podem ser também princípios pós-jurídicos
Joelton Nascimento

Sinal de Menos #3

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Sinal de Menos chega à edição No. 3. É gratificante para nós saber que a revista tem tido um número crescente de acessos nos últimos meses. A boa novidade é que teremos, em breve, todas as edições da revista publicadas em papel! Trata-se de um projeto em associação com a editora Deriva (www.deriva.com.br). Para nós tem sido surpreendente ver que uma reunião inicial de amigos à distância, basicamente via internet, tem podido trazer discussões que estejam interessando pessoas em todo o país e até do exterior. Esperamos poder manter esse nível, inclusive com mais contribuições externas.

Para esse número, temos uma capa feita por Felipe Drago: cremos que ela dá o tom geral desta edição, a saber, uma revisita aos fundamentos teóricos da crítica social e cultural da sociedade contemporânea, de Marx a Baudelaire, dos Comunistas de Conselhos holandeses aos desarranjos habermasianos da teoria crítica até a reprodução das relações sociais e culturais nos grandes centros.

A edição abre com a ENTREVISTA com LOÏC WACQUANT, importante sociólogo francês, professor em Berkeley e pesquisador do Centro de Sociologia Europeia de Paris e com vários livros publicados no Brasil. A entrevista gira em torno de temas fundamentais de sua pesquisa: guetos e guetização, sistema prisional, Estado penal, entre outros.

Nossa seção de ARTIGOS inicia-se com o texto de CLÁUDIO R. DUARTE, A Superação do Trabalho em Marx – Em busca do tempo não-perdido, que apresenta a passagem da “sociedade do trabalho” à “sociedade do nãotrabalho” em Marx. O ensaio mostra que, apesar de certa vacilação prometeica do crítico alemão, não se trata a rigor de hipostasiar o trabalho como “centralidade ontológica” ou “momento predominante” trans-históricos, mas sim de determiná-lo como condição “histórico-natural” que se põe plenamente na sociedade moderna e tem de ser superado na passagem da “pré-história” à “história da sociedade humana”.

De certa forma desdobrando esse tema, o segundo texto, de JOELTON NASCIMENTO, Notas sobre a filosofia do direito de Habermas, lida com alguns equívocos conceituais habermasianos a respeito da crítica da economia política de Marx. Na esteira de Moishe Postone, o autor mostra as consequências de uma leitura trans- histórica do “trabalho” e do “valor”, que, transpostos em momento “sintético” do social “em geral”, facilita as coisas para Habermas fundar seu projeto de síntese social através da “interação”, como se estivesse descobrindo a América – mas ao preço de ontologizar o trabalho moderno como mera “razão instrumental” e fundamento insuperável do “sistema”. Estratégia “a la Wittgenstein”, que joga Marx escada abaixo, após pretensamente tê-lo superado.

O terceiro ensaio, Sentimento da Revolução – Baudelaire e os abismos da miséria moderna, de RAPHAEL F. ALVARENGA, mostra como a obra do escritor francês está comprometida com o contexto (pós-)revolucionário de 1848, nascendo como um forte contraponto às misérias espirituais e materiais da vida moderna. Através de novas leituras de alguns textos de Baudelaire, busca-se expor em que sentido uma cultura crítica aumenta sua força quando nutrida pelo sentimento baudelaireano da revolução malograda, não como mera adaptação ao curso do mundo, mas antes como condição de nascimento de um desejo de ruptura.

A terceira seção da revista, tradicionalmente abre para TRADUÇÕES: dois textos inéditos de “Comunistas de Conselhos” holandeses (ANTON PANNEKOEK e CAJO BRENDEL), um deles traduzido do inglês, outro do próprio holandês – versando sobre temas clássicos para a crítica do bolchevismo. Em seguida, um texto de uma autora indiana, DEEPA KUMAR, sobre mídia, cultura e o método marxista. Por fim, um texto em prosa de CHARLES BAUDELAIRE sobre o “fim do mundo”.

A última seção, dedicada a LEITURAS E COMENTÁRIOS, contém uma resenha crítica de RODRIGO CAMPOS CASTRO (Um canibal palatável) sobre o filme nacional Estômago.

Boa leitura, e até a próxima edição, dedicada ao tema “Brasil”.

Outubro de 2009

[-] Sumário #3

Editorial

Entrevista com Loïc Wacquant
O corpo, o gueto e o Estado penal

Artigos

A superação do trabalho em Marx
Em busca do tempo não-perdido
Cláudio R. Duarte

Notas sobre a filosofia do direito de Habermas
Joelton Nascimento

Sentimento da revolução
Baudelaire e os abismos da miséria moderna
Raphael F. Alvarenga

Traduções

Vozes do subterrâneo
Os comunistas de conselho e a atualidade da crítica do bolchevismo
Prefácio do tradutor

Partido e classe trabalhadora
Anton Pannekoek

A interpretação do marxismo por Lênin
Cajo Brendel

Marxismo e comunicação social
Prefácio da tradutora

Mídia, cultura e sociedade
A relevância do método dialético de Marx
Deepa Kumar

O mundo vai acabar
Charles Baudelaire

Leituras e comentários

Um canibal palatável
Rodrigo Campos Castro

Sinal de Menos #2

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Eis o nosso segundo número de Sinal de Menos. Muito do que se pode dizer sobre os textos dessa edição está simbolizado em sua capa, composta por Felipe Drago: enquanto a produção obstinada e infinita de mercadorias vai transformando o planeta num imenso monturo de lixo, os cadáveres humanos do trabalho e do dinheiro contemplam, acossados pelo tempo abstrato da valorização, cada vez mais sem lastro, a sua própria ruína enquanto sociedade, história, cultura, subjetividade e espaço social e natural. Aliás, esse último aspecto do desastre capitalista, quase ausente em nosso primeiro número, ganha destaque em pelo menos três textos nessa edição.

A edição abre numa ENTREVISTA com Roger Behrens, um ensaísta e crítico social alemão, autor de vários escritos sobre Marcuse, Adorno e Teoria Crítica, além de editor da revista Test Card e colaborador das Revistas Streifzüge e Krisis. Os assuntos circulam pela herança frankfurtiana e a crítica do valor, indo das questões de teoria e práxis até a cultura underground e a música brasileira.

Nossa seção de ARTIGOS abre com o texto de Joelton Nascimento, que é a segunda parte de seu artigo publicado no número anterior: O valor como fictio juris. Em História e Metafísica da Forma Jurídica ele avança algumas hipóteses e questões que desenvolvem a relação problemática e ainda pouco explorada entre a sociedade produtora de mercadorias e suas estruturas de legalidade formal.

O texto de Íris Nery do Carmo, Trabalho e Emancipação: uma análise acerca do Trabalho Feminino no Capitalismo, questiona as condições históricas desiguais de trabalho e assalariamento entre homens e mulheres e os impasses e ilusões da “emancipação” das mulheres, bem como a dos homens, no interior da ordem androcêntrica do capital e do trabalho alienado.

O texto a seguir, de Paulo V. Marques Dias, Economia na base da porcaria: Como o sistema produtor de mercadorias chega ao absurdo lógico da não- qualidade total, aborda a questão da obsolescência programada das mercadorias no sistema capitalista, e põe em questão, amontoando casos e exemplos concretos, a irracionalidade do sistema.

Na continuação, desenvolvendo noutros aspectos esse mesmo tema, temos o texto de Daniel Cunha, que pode ser resumido pelo seu título irônico: Y€$! Nós somos verdes! Produção mais limpa ou sujeira sem fim? Recuperação e revolta dos “excrementos da produção”. A análise crítica de alguns dados selecionados ironiza e confronta a ideologia da chamada “produção limpa” no capitalismo.

O quinto ensaio, de Raphael F. Alvarenga, As vestes negras de Hamlet: a emergência do sujeito moderno como sujeito político, lida com a obra de Shakespeare de forma a indagar como se dá a passagem da indecisão mortificante ao ato possível, isto é, a travessia hamletiana da identificação imaginário-simbólica ao desejo e ao ato de liberdade, que abre um espaço de realizações para além das instituições reconhecidas, processo que o autor do artigo denomina como formação do “sujeito político”.

O último ensaio, O abismo do negativo: Baudelaire e a forma fúnebre da beleza moderna, faz uma leitura crítica da obra do grande poeta lírico a partir dos aportes de Benjamin, Oehler e Sartre, buscando no texto poético uma forma de iluminação de determinadas relações histórico-sociais e psíquicas da modernidade burguesa: a forma fúnebre da beleza é o revestimento interno do cadáver obstinado do sujeito moderno, que, como em Hamlet, só passa a existir como subjetividade possível na crítica aos valores e referenciais simbólicos e imaginários estabelecidos.

A terceira seção, continuando nossa linha editorial, contém algumas TRADUÇÕES: um texto de Guy Debord (O planeta enfermo) e três pequenos textos de Franz Kafka, salvo engano, ainda inéditos em livro no Brasil.

A última seção, dedicada a LEITURAS E COMENTÁRIOS, contém reflexões críticas sobre um livro recente de José M. Wisnik sobre o futebol na sociedade brasileira; uma resenha sobre um livro de Adriano A. Ferreira sobre questões históricas do direito burguês, Estado e marxismo; por fim, uma resenha sobre um antigo mas importante ensaio de Moishe Postone, em torno da questão do tempo abstrato, do valor de uso e do sujeito na sociedade moderna.

Julho de 2009

[-] Sumário #2

Editorial 

Entrevista com Roger Behrens

Artigos

O valor como fictio juris 
2a. parte: história e metafísica da forma jurídica
Joelton Nascimento

Trabalho e emancipação
Uma análise do trabalho feminino no capitalismo
Íris Nery do Carmo

Economia na base da porcaria
Como o sistema produtor de mercadorias chega ao absurdo lógico da não-qualidade total
Paulo V. Marques Dias

Ye$! Nós somos verdes!
Produção mais limpa ou sujeira sem fim? Recuperação e revolta dos “excrementos da produção”
Daniel Cunha

As vestes negras de Hamlet
A emergência do sujeito moderno como sujeito político
Raphael F. Alvarenga

O abismo do negativo
Baudelaire e a forma fúnebre da beleza moderna
Cláudio R. Duarte

Traduções

O planeta enfermo – Prefácio do tradutor
Daniel Cunha

O planeta enfermo
Guy Debord

Barulho enorme, Viajantes da estrada de ferro e Uma comunidade de canalhas
Franz Kafka

Leituras e comentários

A estetização da (des)ordem brasileira, segundo José M. Wisnik
Rodrigo Campos Castro

Origens da crítica do direito
Joelton Nascimento

Do aspecto não-idêntico do valor de uso
Moishe Postone e a questão do sujeito
Raphael F. Alvarenga

Sinal de Menos #1

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Que o mundo atual apareça cada vez menos sob os trajes da positividade e do otimismo satisfeitos, parece haver poucas dúvidas. Tornou-se um fato banal a grande mídia relatar, em pânico aberto ou simulado, a explosão de crises sociais e ambientais de grande magnitude. O espectro da catástrofe ronda o planeta, abafado cotidianamente pela velha política de entretenimento de massas e administração das crises, em meio ao fracasso e ao terror social generalizados. Quanto mais o capitalismo se afirma vencedor, como a única alternativa de produção e vida, mais o desastre social e ambiental, a um certo prazo difícil de julgar, parece-nos inevitável.

Se o travo amargo do negativo se projeta sobre o todo, para nós não se trata de atenuá-lo, mas sim de aguçá-lo, com a maior contundência possível. Pois as crises que se desencadeiam não são garantia alguma de superação social, tornando-se antes motivo para reflexão sobre as formas de converter tal negatividade cega em algo realmente negativo e superador. Uma revista que nasce sob o signo da recusa – da potência do não, em vistas à criação social do novo – necessariamente se esforça por determinar e especificar aquilo que pretende negar. Não se trata de forma alguma de niilismo, reação desparafusada, desespero existencial, irracionalismo – formas abstratas de recusa pela recusa ou voluntarismo cego, feitos de um ponto de vista meramente subjetivo, individual ou grupal. Inserimo-nos, assim, no esforço coletivo de elaboração de uma crítica consequente das mediações sociais que nos afetam e nos dominam, em seus vários níveis e escalas. Alinhamo-nos à tradição de pensar e organizar uma formação cultural crítica, que necessariamente passe pela autorreflexão individual, sem a qual, queremos crer, não há nenhuma práxis realmente emancipatória.

Trata-se de mirar e atacar as estruturas fundamentais da sociedade capitalista, bem como seus momentos constitutivos e reprodutivos em suas particularidades concretas. Sinal de Menos pretende, pois, dar voz à perspectiva mediadora entre os problemas gerais e particulares, movendo-se continuamente das questões econômico-sociais mais urgentes aos movimentos de oposição, dos processos de urbanização capitalista às formas políticas e estatais, da formação social e cultural às formas de sujeito e subjetivação, das elaborações teóricas num plano mais geral à literatura e às artes. Se é correto afirmar que vemos o mundo sempre de um certo ponto de vista – no caso, da periferia do capitalismo, como seres sujeitos à loucura da valorização do capital –, talvez tenhamos, por assim dizer, ao menos alguma “vantagem” nesse ponto: pois não será aqui o lugar onde a crise mundial se manifesta em toda sua força, como revelação cabal e mesmo adiantada da fratura exposta da socialização capitalista global?

Nessa linha há bons antecedentes. No Brasil, pode-se dizer que a grande descoberta do país iniciou-se menos com as ciências sociais que com a literatura: depois de uma lenta acumulação literária, Machado de Assis despontou, em plataforma periférica, como um grande farol, ainda hoje fazendo-nos ver as faces tenebrosas de uma sociedade em que as heranças coloniais da dominação direta – escravismo, patriarcalismo, clientelismo – se entrelaçam às estruturas de dominação capitalista mais modernas. Aqui, as regulações coisificadas do capital se combinam ao mandonismo e ao capricho de uma elite cínico- esclarecida, fermentando uma cultura envenenada, de afirmação e sobrevivência selvagens, que hoje trespassa todos os estratos sociais, reproduzindo uma sociedade estilhaçada e só muito precariamente unificada – nem por isso menos moderna e capitalista, muito pelo contrário. Nosso complexo particular de problemas dá sinais ao mundo, na crise em que há muito estamos, de que o automatismo cego e destrutivo do sistema tende a ser suportado – não sem contradições – por formas subjetivas distintas do sujeito burguês europeu clássico, que hoje vão se generalizando pelo mundo todo. A grande literatura, nesse caso, longe de ser mera ideologia, detinha chaves de alguns de nossos enigmas sociais contemporâneos.

A Revista aposta então suas fichas no pensamento de que a totalidade deve se realizar dialeticamente em cada problema particular enfocado, sem privilégio de algum campo de análise. Da mesma maneira, se hoje vem se falando em “brasilianização do mundo”, em geral de forma apologética, provavelmente estaremos num posto relevante para a observação crítica, adrede preparado por nossa tradição. Nesse sentido da formação, a revista segue sua linha, traçando com rigor e também certo jogo e desvio para com as regras oficiais do mundo universitário, degradado pelo mercado e pela cultura do favor, a figura composta pelos enigmas sociais. Um outro mestre em tais enigmas, Drummond, em seu “não-estar-estando” na vida danificada, concluía assim seu “Poema-orelha”:

“e a poesia mais rica, é um sinal de menos.”

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Nosso primeiro número abre com uma ENTREVISTA de John Holloway, na ocasião de sua vinda para o Brasil em novembro de 2007, convidado pelo grupo Fim da Linha. Aqui, ele comenta vários problemas atuais e retoma várias reflexões e conceitos elaborados durante uma trajetória de quatro décadas de crítica social.

Em seguida, na seção de ARTIGOS, temos o texto de Raphael F. Alvarenga sobre Jean Genet, escritor francês fora-de-esquadro e ainda muito pouco lido no Brasil. O ensaio desenvolve algumas linhas de seu pensamento moral, político e estético, num percurso que conecta os temas da marginalidade, da crítica e da (trans)formação.

O segundo texto, de Joelton Nascimento, desdobra as relações entre forma-jurídica e forma-mercadoria, através do debate clássico desde Marx, Rubin, Pasukanis até quase sua completa naturalização na consciência dos “bombeiros” da democracia liberal, exatamente no momento em que o Capital, incendiado, torna-se cada vez mais sem substância de valor e busca-se garantir por estruturas jurídicas de regulação.

O terceiro artigo, de Daniel Cunha, trata da questão da luta de classes na teoria dos grupos alemães Krisis e Exit, tentando dissolver, através de uma análise imanente, a cristalização teórica que impede uma apreensão crítica de conceitos originalmente negativos como os de proletariado, classe e luta de classes, e que tende a um auto- ofuscamento de suas próprias pressuposições e consequências práticas. Daí o diálogo de seu título com os Últimos combates de Robert Kurz.

Em seguida, Cláudio R. Duarte reconstrói a passagem do realismo ao modernismo na literatura, como um bom sismógrafo crítico das estruturas sociais e psíquicas impostas no processo de modernização, num caminho que suspende os temas da alienação, morte e espaço abstrato do plano do conteúdo ao da forma de exposição no modernismo.

Fechando a seção, Paulo V. Marques Dias lida com a questão da educação escolar como forma de reprodução do trabalhador abstrato e das condições gerais do capital em larga escala, a partir do ponta-pé do que o autor chama “surto avaliatório” e de uma análise lógica e histórica de seus pressupostos.

A terceira seção abre para TRADUÇÕES: uma de Franz Schandl, um dos principais colaboradores das revistas alemãs Streifzüge e Krisis, num excelente texto sobre a relação entre economia, criminalidade e pilhagem como “nova normalidade” do capitalismo em colapso. Em seguida, um pequeno Texto para nada (# 4) e uma micro-peça (Respiração) de Samuel Beckett, traduzidos e comentados pelos tradutores.

A quarta seção, dedicada a RESENHAS, abre para uma reflexão sobre uma coletânea recente dos escritos do arquiteto Sérgio Ferro, em seguida para a de um vídeo- documentário de 2004 sobre o filósofo Slavoj Žižek e outra sobre o filme Crash.

Abril de 2009.

[-] Sumário #1

Editorial 

Entrevista com John Holloway

Artigos

Sobre fundo de noite
Notas sobre Jean Genet
Raphael F. Alvarenga

O valor como fictio juris 
Forma jurídica e forma valor
Joelton Nascimento 

Penúltimos combates
A luta de classes como desejo reprimido no Krisis/Exit
Daniel Cunha

Mau tempo para a poesia
Espaço, morte e alienação na literatura moderna
Cláudio R. Duarte

Educação e a fábrica social
Paulo V. Marques Dias

Traduções

Pilhagem social
Mosaico de uma desintegração feito com pedras desordenadas
Franz Schandl

Textos para nada #4 (Textes pour rien #4) e Respiração (Breath)
Samuel Beckett

Beckett, “cada vez menos sim”
Cláudio R. Duarte e Raphael F. Alvarenga

Leituras e comentários

No rastro de Sérgio Ferro
Felipe Drago

Zizek e a paixão do impossível, ou Elvis com Lacan
Cláudio R. Duarte

CRASH!
Daniel Cunha

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    1984-8730
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